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ENTREVISTA

A Patricia Vanzolini gentilmente concedeu uma entrevista muito legal para os membros do @fanzolinis. Segue abaixo as perguntas que foram feitas e as respostas. Pegue a sua coca cola e ENJOY….

Em que momento da sua vida você decidiu que iria ensinar e advogar? Nunca pensou na carreira pública?

Nossa eu vou contar uma coisa para vocês: eu me “descobri” profissionalmente muito tarde. Entrei na faculdade de direito, na PUC, bem animada, mas fui me desanimando, desanimando e no final tinha certeza de que nunca iria querer trabalhar com nada daquilo. Depois que me formei fiquei 2 anos completamente afastada do direito, trabalhando só como atriz (eu sou formada pela Escola Célia Helena, um curso de teatro conhecido aqui em SP). Nesse período fiz muitas propagandas e alguns programas de televisão. Mas por incrível que pareça eu ainda sentia que aquele não era o meu lugar, e sem ter a menor idéia de o que queria fazer da vida, resolvi tentar entrar no mestrado na PUC, e consegui! Foi lá que eu descobri a carreira acadêmica, comecei a dar aulas e me re-apaixonei pelo direito. A vontade de advogar veio depois, como complemento. A carreira pública nunca me atraiu. 

O que te atraiu no direito penal? Porque optou por ele?

Acho que o direito penal mexe com aspectos muito essenciais da experiência humana: vida e morte, prisão e liberdade, violência e perdão. São situações limite com as quais a maioria de nós não tem contato na vida cotidiana. O direito penal pode ser tudo, menos morno e tedioso. Acho que tudo isso, essa “intensidade” me puxou para essa área. Além do fato de que eu sempre adorei tudo que se refere a crimes, filmes, literatura policial, etc… (aos dez anos de idade comecei a ler Agatha Crhistie e nunca mais parei!).  

Quantas horas por dia um estudante de direito precisa dedicar para obter êxito no exame de ordem?

É uma pergunta complexa até porque cada qual tem o seu limite e ultrapassá-lo nunca é produtivo. Exemplo: para determinadas pessoas estudar mais do que três horas não rende, a pessoa não absorve mais nada. Outras conseguem ficar concentradas por mais tempo… Para mim o que funciona é a constância. Ou seja: é estudar todo dia um pouco. Mesmo que você esteja cansado e sem vontade, o truque é começa. Diga para si mesmo: “bem, hoje eu vou ler só meia hora e chega”. E garanto que você vai conseguir estudar mais do que isso e não perde o pique, não perde o ritmo. Além de que com isso se evitam as desculpas do tipo: “hoje não vou nem começar, porque tenho pouco tempo”. Não importa. Use o tempo que tem. Cada dia um pouco, esse é o meu método.

Quais os aspectos positivos e negativos do exame de ordem em sua opinião.

Sei que não vou ficar muito popular depois dessa resposta, mas sou a favor do exame. E, embora nenhum candidato concorde comigo (rs)  acho que os próprios estudantes ganham com ele, crescem profissionalmente porque são obrigados a estudar bastante, e crescem pessoalmente, porque enfrentam o seu primeiro desafio profissional. É meio como um rito de passagem, sabe? Você entra na faculdade como um adolescente, e sai  como um homem (ou mulher), afinal advogar é muita responsabilidade, é cuidar do bem mais precioso da pessoas. Isso sem falar do aspecto mais objetivo, que é a triagem daqueles que realmente não estão prontos ainda, não tem os conhecimentos mínimos suficientes para essa empreitada (o que não quer dizer que não possam adquiri-los). O aspecto negativo é a forma como se realiza o exame, que muitas vezes não mede capacidade ou conhecimento.

Quais os temas de direito penal que tem mais incidência nas provas da OAB? Cite cinco artigos de leitura obrigatória para a prova.

O truque é conhecer a característica da banca. A FGV que atualmente elabora o exame, gosta muito e teoria do crime, então sem dúvida é isso o que mais cai. Em teoria do crime dificilmente a leitura de um artigo “seco” resolve então vou dizer 5 temas:  crimes omissivos, nexo causal, erro de tipo, etapas de realização do delito (tentativa, desistência, arrependimento, crime impossível), concurso de agente.   

Existe todo um mito por trás do advogado criminalista, dizem que é bastante arriscado, você já passou por alguma situação de perigo em função da área em que atua?

Na verdade, não. Mas realmente existem casos nos quais eu não me sinto confortável de atuar e daí não atuo, passo para um colega. Mas sem dúvida o prazer de ser advogada criminalista, de restituir a alguém o seu bem mais precioso, a sua liberdade, supera qualquer receio.

Todo esse tempo sendo professora preparando alunos para o exame de ordem, qual a situação mais engraçada e diferente que você vivenciou?

Eu já tive ataque de riso de não conseguir parar e de não conseguir continuar a aula, já tive que dar intervalo meia hora antes porque tinha bebidos litros de coca cola e estava, digamos, em dificuldades… (rs)

E a mais triste?

Eu sou muito emotiva, toda segunda fase eu me emociono muito, sinto como se estivesse cuidando pessoalmente de cada um, sofro pelos problemas, pelas dificuldades. Uma situação triste aconteceu em 2009, quando eu anunciei que estava grávida (até porque não dava para esconder, eu ia para a aula literalmente “verde”). Os alunos me encheram de carinho, davam sugestão de nomes, super legal. Logo depois eu sofri um aborto espontâneo. Foi um momento muito triste dizer isso na rede, mas também recebi muita solidariedade.

Um dia antes da prova da OAB, os alunos ficam bastante ansiosos. O que é mais válido para se fazer antes da prova, revisar o conteúdo ou simplesmente procurar relaxar?

Eu acho difícil dar uma resposta padrão. O ideal é você se respeitar. Eu por exemplo, sempre fui aquela neurótica, que estuda até o último segundo. Se você disser para eu relaxar, ai é que eu surto! Mas de forma geral a regra é cuidar do aspecto físico. Pense na prova como um atleta se prepara para uma maratona. Comer bem, dormir bem, tudo isso interfere muito no rendimento, pois o cérebro é uma parte do seu corpo, afinal!

Ficou nervosa quando fez a prova da OAB? Conta um pouquinho como foi.

Agora eu vou revelar o maior dos segredos: Eu não passei na primeira prova que eu fiz, a minha prova foi anulada…. por cola! Pera aí, deixa eu me explicar: É o seguinte, eu estava tão desencanada que fui para a prova (prestei civil) levando um livro (da Maria Helena Diniz) que eu tinha comprado e nunca tinha aberto na faculdade, sobre lei de locação. Quando recebia a prova o tema era justamente esse e eu abri o livro e nesse momento, descobri que no final havia modelos de peças! Eu fique num dilema: ou entregava o livro e fazia a prova com a lei seca, ou arriscava. Foi o que fiz. E me dei mal. Lá pelas tanta um fiscal chegou perto de mim tomou o livro, tomou a prova e já era! Imagina como foi, chegar em casa chorando e contar para o meu pai que eu tinha sido pega “colando”!  

Para os novos advogados criminalistas, qual o conselho que você dá?

Sem dúvida: mantenha sua ética. Esse é um meio em que infelizmente é fácil “se perder” e muitas vezes é isso mesmo o que o cliente quer. Não faça nada errado, nunca, e não se ache bobo por isso. Pelo contrário, você vai provar que tem técnica e tática para trabalhar de forma limpa. Não importa o resultado imediato: seu nome é o seu maior patrimônio e cabe a você construí-lo.  

Se não existisse o direito penal, você advogaria em que área?

Nenhuma (rs)!  Se eu tivesse outra profissão acho que seria jornalista (porque eu gosto de falar, deu pra perceber). Mas se pudesse escolher um talento seria arquiteta ou cantora. 

Sabemos que o número de questões da prova passou de 100 para 80, na sua opinião foi melhor ou pior?

Muito melhor, a meu ver. Penso que havia uma enorme perda de rendimento apenas pelo cansaço de uma prova exaustiva. Mesmo as questões fáceis eras perdidas assim. Um prova mais curta mede mais competência e menos resistência

Como se preparar para a prova?

Estudando de forma direcionada, o que significa, basicamente: leitura de resumos (mais vale um resumo de 100 páginas lido 10 vezes do que um manual de 1000  páginas lido 1 vez) e resolução de testes.

Manda um recado para as pessoas que te seguem e que estão batalhando por um lugar ao sol, seja pela aprovação na prova de ordem ou em um concurso. 

Persevere. Persevere acreditando. Persevere duvidando. Persevere tendo certeza de que vai dar tudo errado. Persevere chorando. Se entupindo de chocolate. Por pura teimosia. Por inércia. Por fé. O segredo do sucesso é muito simples: seguir um objetivo sem parar. Só isso. Sem parar, até atingi-lo.

Um enorme abraço a todos.

Gostaram? Comentem sobre o que acharam.

Comentários a: "ENTREVISTA" (3)

  1. Valquiria Gomes da Silva said:

    Que nobreza ao se expor…ao mostar que é humana…perfeita e imperfeita…de mostrar que os “iluminados” tb possuem suas derrotas…
    Seu vídeo e sua entrevista foram para mim um divisor de águas…sempre fui estudiosa dedicada e fiz a OAB pela primeira vez em 2010.3…não passei na segunda fase de Trabalho…e estava até agora muito desanimada…por coincidência ou não…cheguei até aqui e li sobre vc….OBRIGADA por sua sinceridade e sua falta de preocupação em ser julgada…
    Com enorme carinho, da Valquiria – Piúma/ES

  2. Michely Miranda said:

    Eu conheci a Patricia em 2009 quando fiz um curso preparatório para OAB de sábado, e após conhecê-la como ser humano nessa entrevista não imaginei que teríamos alguas coisas em comum. Somos parecidas no sentido de que eu ainda não aprendi a gostar do Direito de coração, mas quem sabe dando aula as coisas se ajeitam, com dedicação e fé as coisas mudam… Irei iniciar minha pós em Didática de Ensino Superior, e estudo constantemente para concurso (a OAB, deixei para o fim do ano, por causa do TRE-SP), ainda há matérias que não engulo, outras que odeio, e outras que não aprendi, e sei que com a Patrícia as coisas fluirão melhor dentro do Direito Penal, ótima professora como é, não tem pra ninguém.

  3. Paty,
    Libera os vídeos publicitários! Libera?!
    Adorei a entrevista e subscrevo as palavras da Valquíria, muito bem colocadas.

    Um super beijo!

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